Mostrar mensagens com a etiqueta 2007. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2007. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Control, de Anton Corbijn

Enquanto música ressoa, quente e deliciosa, poesia destila-se nos poros, na retina, na alma. Narração perfeita de uma alma esquecida pelo entardecer prematuro da sua chama, Control é o renascimento do cinema no seu estado mais puro, ardente e verdadeiro. E é mais que retrato, é vivência, é memória.

Gosto de música, mas não a procuro como procuro ao cinema. Mas depois de Control, os Joy Division ficaram marcados, e percorreram-me durante dias as lembranças, e as coisas bonitas e tristes que me assolam sempre, todos os dias na alma que porto e sou. Como uma banda sonora.

Anton Corbijn maestro desta vivência exarcebada, aborda a solidão, o descontrolo e a morte como se estivessem emersos numa beleza eterna, como se o mundo se perdesse na brusquidão do desconsolo e da aura pesada, e se o medo formasse equilíbrio com o êxito.

Melancolia e euforia conjugam-se, preto no branco, branco no preto, e Control ergue-se como uma obra-prima relevante do cinema contemporâneo. Não só para aqueles que procuram cinema mais alternativo, não só para aqueles que procuram uma biografia, não só por aqueles que sendo fãs dos Joy Division não o podem evitar; mas para aqueles que tiram da tristeza o rumo incerto da vida, ou da melancolia a força para continuar. Esta não é a história de uma banda, é o relato da imagem de alguém que morreu de amor aos 23 anos.

É bonito cinema assim. Se algum dia fizer cinema, quero-o fazer desta maneira.


Control, UK/USA, 2007. Realização: Anton Corbijn. Fotografia: Martin Ruhe. Com: Sam Riley, Samantha Morton, Alexandra Maria Lara. *****

sábado, 29 de dezembro de 2007

30 Days of Night, de David Slade

Em 30 Days of Night os vampiros revelam uma faceta mais animalesca, esquecendo o romantismo ao qual progressivamente o grande ecrã nos foi habituando, e fixando-se no mundano e original folclore primitivo do nosferatu, as criaturas da noite. O mais grotesco possível até agora, juntamente com os da saga do 28 days.

Conseguindo ultrapassar o temor que em tempos o próprio drácula estava em posse de oferecer, o bando que se passeia num Alasca nocturno consegue a sua quota parte de êxito, com uma magnífica caracterização de Joe Dunckley, tão habituado a trabalhar com trabalhos de grande envergadura.

Este projecto, produzido por Sam Raimi tinha uma premissa tão prometedora que quase foi impossível não se esperar derrapagens. E quem as esperou não se enganou. O melhor de todos estes minutos de aflição (às tantas não sabemos bem porquê; se pela boa sucessão das coisas, se pela má sucessão que depressa advém) não só chega cedo, como é introdução, mas infelizmente feitas as apresentações das personagens principais a sua aparência torna-se ilusão, escasseia, até desaparecer por completo. Falo claro de Ben Foster, numa magnífica representação.

Sendo mais uma adaptação, desta de uma graphic novel de 2002 da autoria de Steve Niles e Ben Templesmith, o filme de Slade não perde tempo a desenvolver a premissa que empreende (que é talvez o melhor), espremendo-se entre o romance mesquinho entre as personagens principais e cenas de acção que raramente têm êxito. O filme com o tempo vai-se assemelhando mais a um filme de zombies do que propriamente a de criaturas que temem a luz do sol, sendo esse factor com o tempo até esquecido.

O filme falha por muito, mas entretém por tantas outras coisas. Os factos curiosos são preciosos, a falta de luz e a sua intercepção com a realidade geográfica e factual enchem-nos os olhos de expectativa, e se o resto do filme nos desilude fá-lo gradualmente e sem grandes choques.

O elenco é medíocre, mas penso que um melhor só me deixaria ainda mais irritada, porque a liberdade de representação não é muita e sem ela não é fácil nem seguro também avaliar. Ben Foster é o titã de todo o filme, mesmo não sendo uma personagem que a câmara acompanha interminávelmente, é uma presença frucral para o desenvolvimento da acção e não só da acção, do ambiente, do feeling do projecto.

O espaço e o tempo da acção é a novidade que mais arrebata e mais compensa. Mas Slate precariamente o conseguiu manusear.

No entanto a falta de caracterização do ponto de vista do argumento feita aos vampiros foi um ponto a favor, pois mantendo-os longe de se humanizar só os tornou mais convicentes. O que poderia eventualmente ter sido usado ainda mais em favor era a sua ascendência, a razão da sua presença, para além da ausência de luz solar durante 30 dias gelados claro, como se tal não fosse suficiente, e os objectivos que as suas almas primitivas tentavam alcançar. A introdução de um idioma foi, tirando Foster, a parte mais interessante e a que mais valor tem em todo o projecto. O que parece ser uma lingua vinda das florestas profundas da Roménia (digo eu) intensifica o aperto que tem de ficar cada vez que há um vampiro on-screen, ajudando a imortalizá-los.

Assim 30 Days of Night tinha bastante a seu favor para se sobressair um pouco mais. É uma novidade no seu género porque retoma o terror com o instinto e com uma premissa fora do vulgar, mas por outro lado a falta de interesse que as personagens suscitam quase nos obriga ao esquecimento. Só Foster recordo com vivacidade.

Secalhar é injusto tomar o filme assim desta maneira, obrigando-o a ser nada mais nada menos que um melodrama assustador (pouco, mas aceita-se) que nos obriga a ficar em espanto durante quase duas horas inteiras, e sem dar quase ênfase às tentativas feitas e à fé que provavelmente Slade lhe entregou. Mas ainda assim depois de Hard Candy saí desiludida. Gostei como sempre gostei de vampiros, mas não gostei do ponto vista geral. Entreteu mas isso acabou assim que saí da sala. E só me lembrei agora dele porque pensei que já vinha a hora de dar a minha opinião.

David Slade não foi muito longe com esta adaptação, e o que mais me irrita é pensar que
secalhar ele nem queria ir tão longe assim.

"That cold ain't the weather, that's death approaching."


Days of Night, USA, 2007. Realização: David Slade. Fotografia: Jo Willems. Com: Josh Hartnett, Melissa George, Ben Foster, Danny Huston. **

domingo, 2 de dezembro de 2007

Vacancy, de Nimród Antal

Se Kontroll deveria ser um ponto de referência do mestre Nimród Antal, e que o é sem dúvida, Vacancy deveria ser visto como uma ponte, para o que poderá vir. Esperemos, melhor.
Com um teor tão vulgar de terror, com uma oferta pouco inteligente de um rumo a seguir, é de estranhar que Antal tenha conseguido chegar onde quis. E a verdade é que o conseguiu plenamente.

Este é um filme que se transfigura de uns quantos clichés em amostras bastante mais conseguidas disso mesmo, um mergulho de cabeça nas inspirações de outros, conjuntamente com o facto de conseguir ir além do que essas primeiras ideias foram. Mas não deixa de ser um emprestar, digamos assim, de um plot que sempre deixou e sempre deixará muito a desejar.
Eu, como amante do terror tive de o ver fosse qual fosse o lado das opiniões dos mais aclamados críticos, e vi-o ainda em terras do Tio Sam. Mas se por um lado me acabou por entreter, por outro tornou-se também desconfortável através de faltas e exageros.

A claustrofobia, as sombras constantes, o batimento cardíaco e a sequência entusiasta de planos devidamente equilibrados para um determinado efeito, acabam por fazer parte do entretenimento agradável que se retém ao longo dos totais 85 minutos de filme. O elenco é claramente outras das razões da crítica se encontrar sensivelmente do lado positivo acerca de todos os aspectos do filme. O pior? Pouco, talvez mesmo seja o facto de passado já algum tempo de o ter visto, me seja mais complicado fazer uma crítica aprofundada, e juntando a esse facto o de que eu acho que mesmo que o tivesse acabado de ver novamente o problema se mantivesse.

Resumindo, Vacancy é um filme de terror que não traz muito mais do que os demais que nos chegaram recentemente como o The Hitcher ou o segundo Hostel, mas que se consegue manter acima desses pela maneira como Antal conseguiu espalhar mais do que uma sequência de planos meramente pesados e gores para se basear num ambiente simples de terror infantil, de encurralamento e correria constante. Um ou outro "I don't care anymore, I love you", aparecem para suavizar uma necessidade constante de alcançar o negro do alma humana, o terror emerso no lado obscuro da sagacidade humana, animal, e acaba por entregar uma constante correspondência com clássicos que sempre ficaram e que não passarão nunca. Falo claro está de Psycho.

No fundo acho que Vacancy é mais um dos que fazem parte de um enorme rolo de situações dramáticas de que os Estados Unidos se tem mostrado tão necessitado, mas que vai além do que se espera integrando-se numa necessidade de encontrar emoções humanas nas mais profundas desumanas acções. O plot recai num desconhecer do seu próprio rumo e muitos dos diálogos entregam-nos sensações que não deveriam ser sentidas, mas Vacancy ultrapassa as nossas expectativas de uma maneira que por exemplo, o Hostel de Roth nunca ultrapassou. Serenamente.

E às vezes ultrapassá-las é o suficiente.

Vacancy, USA, 2007. Realização: Nimród Antal. Fotografia: Andrzej Sekula. Com: Kate Beckinsale, Luke Wilson, Frank Whaley, Ethan Embry. ***

domingo, 11 de novembro de 2007

Alpha Dog, de Nick Cassavetes

Alpha Dog prometia trazer uma história atractiva e no mínimo curiosa ao recorrer a um elenco júnior que poderíamos eventualmente ver apenas em filmes para adolescentes sem qualquer sentido, mas que foi no entanto muito diferente. A diferença? Ter vindo da mestria do realizador do The Notebook, Nick Cassavetes. E claro pela participação de Bruce Willis e Sharon Stone, como o encaminhar para uma plateia mais lucrativa.

A participação do jovem Emile Hirsch, que veio de um confortável The Girl Next Door, e de Justin Timberlake o cantor do Sexy Back e o autor dos sexy moves do mundo musical, atrairam provavelmente o que se viu ser 80% das audiências mundiais, mas ainda assim nem um nem outro se espalharam ao comprido como eu estava a espera, e isso quase bastou para o filme se tornar um bom filme.

Emile Hirsch
é então Johnny Truelove, um drug dealer bastante moderno, inspirado na figura criminosa de Jesse James Hollywood, e filho de Sonny Truelove, interpretado por Bruce Willis. Cassavetes desfia as já esperadas cenas de crimes de uma forma impressionantemente imaginativa, derivado de um argumento que o próprio criou, e que é provocativo e que é bom sê-lo. Truelove, rodeado de amigos que transpiram a já esperada adolescência no seu lado mais puro e contagiante, vai-se metendo aos poucos e poucos numa aventura que vai acabar por julgar se o seu espírito é realmente anárquico ou se é simplesmente uma perseguição infiel dos passos percorridos pelo pai.

Aí entra Jake e Zack Mazursky, dois irmãos que em tudo se diferem e que no entanto é isso mesmo que os une, interpretados belíssimamente por Ben Foster e Anton Yelchin, sendo que Foster me tem impressionado bastante, e onde Zach se torna a única ponte entre uma amizade que foi envenenada pelo dinheiro.

Alpha dog
vai percorrendo um lado quase virgem do crime hollywoodesco, onde este é contornado e quase exilado num sentimento humano e de amizade antes que seja atingido um clímax onde normalmente tudo se perde. Alpha dog não segue os contornos e parâmetros normais de um policial ou de um filme de acção, porque se divide em partes meramente fúteis e em partes que contêm a importância do coração humano, sem sequer ser pensada uma mistura dessas partes. Pela primeira vez a vítima passa de vítima a herói no seio da sua própria autonomia. Uma vítima acarinhada pelos seus agressores, que exploram inocentemente o seu interior, que abrem caminhos e portas de auto-conhecimento, e que são experiência no meio de terror, que é acima de tudo camuflado em amizade pura e genuína. E é maioritáriamente tudo isto que faz brilhar Alpha Dog, o contraste de um crime com as cores do amor incondicional e ainda assim tantas vezes condicional da família, da amizade e do preconceito.

Nick Cassavetes
largou o salto entre o bom e o mau, e deixou-se cair no abismo esquecido da inocência, do espírito humano e do esquecimento do pulsar negro dentro de nós. E no fim, acorda-nos, para nos deixar bem claro que é um filme que vemos. E isso é realmente o delicioso acerca do filme. Ainda assim não é um filme estrondoso, mas o desfecho torna-o extremamente acarinhável, e quanto a avaliação técnica? Não é preciso. Isso sucumbiu ao maravilhoso plot e ao modo como se desfiou. Mas só para ficar assente não é digno de registo mas é melhor que muitos policiais convencionais que têm passado pelas salas de cinema ultimamente.

"You wanna' know what this is all about? You can say this about drugs or guns or bad decisions, what ever you like. But this whole thing is about parenting. And taking care of your children."


Alpha Dog, USA, 2006. Realização: Nick Cassavetes. Fotografia: Robert Fraisse. Com: Bruce Willis, Emile Hirsch, Justin Timberlake, Anton Yelchin, Ben Foster, Sharon Stone. ****

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

The Brave One, de Neil Jordan



Jodie Foster não só é a melhor da sua geração, como é a melhor de todas as outras. Não consigo descrever a maneira como senti o que Erica Bain sentia, a sua loucura de solidão e de revolta, a necessidade de um grito eterno e de um abraço interminável. O desespero envolve-nos como Jodie Foster tão grandiosamente joga no filme. A sua entrega a uma quase morte psicológica ressuscita em nós a necessidade de vivermos um pouco mais na vida dos que sentimos estar mais perto de nós.

Foster é uma caminhante das ruas anundada em perda e sede de vingança. Uma caminhante que se envolve num processo de metamorfose que não consegue controlar, uma “outra” que destrói o que é capaz de magoar ou o que é simplesmente errado. The Brave One é um filme que não passa de ser um bom filme, mas um filme que entretém extremamente, só havendo uma ou outra cena que fazem com que o filme se perca um pouco e oscile. Podendo ter sido um pouco mais curto (mesmo não passando da habitual hora e meia de filme), A Estranha Em Mim é um filme que vale tudo pela presença de Jodie Foster e pelo caminho que percorre não só pelas ruas Novas Iorquinas tão naturalmente projectadas sob a lua, como pelo seu arrastar na construção de uma história sensacional e extremamente energética.

Neil Jordan traz-nos assim um filme que é uno pela simplicidade de voltar a trazer de um ambiente à antiga, onde há violência não só entre países mas entre individuais da mesma cidade. E o importante agora é voltar a pegar nisso, como que um grito a fazer-nos relembrar que o mundo é sempre tomado de caos. É o renascer da antiga definição de “revenge”, que nos revolta a sombra do olhar e nos faz entrar num contacto imprescindível de relacionamento com a personagem.

Esquecendo um pouco a loucura do pós-11 de Setembro, Neil Jordan focou uma violência mais simples, que apesar de esquecida faz parte das raízes das “cidades mais seguras do mundo”. Consegui sentir dor perante as nódoas negras de Erica, e saudades de abraçar o seu noivo que acabou por perder, e tão perfeitamente representado por Naveen Andrews. Até senti perda dentro de mim, um vazio de garganta seca.

No final para melhorar tudo, ainda me apercebi que o título acabou por fazer o maior sentido, ainda que em nada ou pouco seja uma fiel tradução do título original. Para terminar as referências sobre a representação, o equilíbrio que se sente entre Erica Bain e o detective Mercer não se deve exclusivamente a Jodie Foster mas à importante presença de Terrence Howard que entrega um maior equilíbrio psicológico a toda a narração.

A falas de Bain como locutora de uma rádio diferente das outras entraram-me na alma, a magnífica representação de Foster não me sai da cabeça, e o projecto de Neil Jordan acabou por me salvar da crença de que futuros policiais e filmes do género deviam ser evitados. O que mais marca o filme não é a originalidade do argumento, pois acaba por não ser assim tão original, mas o facto de todo o tactear da revolta, vingança, violência e brutalidade serem-nos entregues por uma personagem que ao princípio do filme se afirma a mulher mais feliz do mundo. Jodie Foster, digo, é um gigante íman. Ainda sinto certas coisas do filme a caminharem-me sobre a pele.

"Most everybody lies. Dead can't."

The Brave One, USA/Australia, 2007. Realização: Neil Jordan. Fotografia: Philippe Rousselot. Com: Jodie Foster, Terrence Howard, Nicky Katt, Naveen Andrews. ****

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

1408, de Mikael Håfström

John Cusack é singular. A particularidade da sua representação é o facto de não ter particularidade alguma, os pólos são opostos, não há um padrão de género de representação e o que esperar é, na medida das coisas, sempre algo alternativo.
Neste cartaz contamos com a presença de Cusack tanto em 1408, saído nos Estados Unidos ainda este ano, como em The Contract de Bruce Beresford estreado já o ano passado, e que só agora nos ocupa as salas de cinema Portuguesas.
Mas falando apenas do que posso avaliar sem dúvidas, falo do thriller psicológico que só Stephen King nos poderia trazer, 1408. Quando as imagens começam a inundar a tela, as atenções dividem-se entre aqueles que conhecem a obra de King e entre aqueles que conhecem a obra por alto, ou que não conhecem de todo.

John Cusack interpreta, nesta adaptação do mestre do terror, Mike Eslin, um escritor de histórias de fantasmas e aparições paranormais, em que a única coisa em que consegue acreditar é em si próprio. O seu brutal cepticismo é reabastecido pelas buscas que encontram vazios constantemente, e vamos desdobrando cada folha da sua história com paciência redobrada revelando o seu passado e apercebendo-nos do porquê de uma mente estar tão alojada em descrença e conformismo.

Se por um lado o filme poderia ter chegado ao desequilíbrio e a uma teia desinteressante em que o elenco é reduzido a uma pessoa durante quase uma hora e meia, na verdade foi o factor de haver uma só pessoa entregue à claustrofobia sufocante de um quarto de hotel no 14º andar que acabou por entregar um dos melhores feelings que se pode sentir ao ver 1408. A partir do momento em que ele se entrega à loucura, nós à loucura nos entregamos. Às tantas o The Shining e o seu isolado hotel Overlook sucumbem no pânico que o quarto número 1408 do hotel Dolphin da cidade de Nova Iorque grita em cada poro de Eslin, parecendo-se de repente com um motel barato.

Cusack surpreende, e penso que este é um filme que poderá fazer jus à sua imortalização como actor. Por seu lado Samuel L. Jackson é o toque de midas que torna a prata em ouro, e isto porque sendo tão poucas as cenas em que faz a sua aparência, e essas em relutante ordem de seguimento, torna-se crucial para o jogo claustrofóbico começar, e com ele o plot assustador. Antes disso nada no filme de Mikael Håfström assusta. Jackson acaba por mais do que informar Eslin das forças maléficas que existem no quarto, convence-nos também a nós expectadores que cenas muito maléficas vão aparecer aos molhos aí por diante.
Provindo de uma história curta de Stephen King, Håfström fez a meu ver um excelente trabalho em tornar um história de pequena a um filme de 94 minutos muito bem estruturados. Para além de se ter esmerado numa realização que a meu ver quase não tem falhas, apercebeu-se que um trabalho de terror para ser bom não há uma necessidade de cenas gore e sangrentas, ou de monstros on-camera e close-ups desnecessários que tanto são empregues nos últimos filmes de terror que tenho visto. Novamente, desnecessariamente.

A única coisa a apontar a meu ver é que o sentimento que penso Håfström quis alternar constantemente, aquele da vida após a morte ou de espectros presos e destinados a amaldiçoar o lugar da morte, esse sentimento não colou da maneira que penso que ele queria que colasse. Não magoa o filme de todo, mas por outro lado não ficamos a pensar no filme de uma maneira especial, como se houvesse uma moral fundamental e importante. Neste filme há uma vertigem e claustrofobia constantes, o esgar de medo que quase magoa os maxilares e uma respiração sustida a cada segundo que se ouve mais do que o gravador de Eslin a gravar.

"No one lasts more than an hour."


1408, USA, 2007. Realização: Mikael Håfström. Fotografia: Benoît Delhomme. Com: John Cusack, Samuel L. Jackson. ***