terça-feira, 29 de junho de 2010

















Penso que é com uma certa veneração que falo da fotografia do filme de Amenábar, The Others. Talvez seja de facto necessária tal perversa paciência de que tantas críticas falam, para se chegar ao final sem todo o filme soar a mediocridade, quando nem o final parece ser suficiente. Como encontrar na escuridão a mesma perversidade da paciência, do enclausurado, e também do dinâmico? Como a escuridão acaba por passar a sua negra língua, pela constante mutação das personagens, e como a banda sonora amansa até a mais amarga impaciência.

Os contrastes mais agudos absorvem os medos, os sustos, ou até a falta deles. Mas acho que é mesmo a fotografia de Javier Aguirresarobe que destaca a languidez, e a torna no temor quase mudo que o filme vai desfiando. Não será talvez disso que se trata a impaciência? Nessa proclamada secura desavergonhada do não ter paixão pelos contrastes, pela beleza, pelo movimento, mesmo no mais moroso e imutável?

Eu por mim, imagino-me a ter "impaciência" o suficiente para aprender a arte de transformar a escuridão em luz, e vice-versa. Porque mesmo quando temos as cenas fantasmagóricas e explosivas de luz, podemos sentir a densa névoa de escuridão.

Se essa arte não chega, talvez precisemos de trocar as câmaras por uma audiência.

3 comentários:

  1. Uns dos filmes que mais me assustou quando inicialmente o vi. Adorei o jogar com a escuridão da realização, o final fantástico, e todas as cenas em que há alguma tensão.

    Já não vejo este filme à imensos anos, mas o facto de ainda me lembrar da reviravolta que há no fim, e lembrar me perfeitamente de algumas cenas quer dizer algo sobre a qualidade de um filme.

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